"I just need to relax", é o que eu fico dizendo pra mim mesma. Mas eu não quero, não consigo, não sei. Não sei não ser intensa, não ser um caso perdido, uma alma sofredora. Penso em brigas de casais, as pessoas sempre arrumam um jeito te trazer à tona assuntos que já estão encerrados, ou deviam estar. Acho que no fundo a parte atacada deve ficar um tanto brava e um tanto tocada pelo assunto ressuscitado. Mas isso não tem nenhuma importância pro meu atual dilema, ou não deveria ter. Sabe, eu deveria estar chapada pra escrever isso. Mas não estou. Acho que minha pala é mais racional e clara do que minha versão sã. Não interessa, se o que ela sente é raiva. Se o que eu sinto é raiva. Se o mundo tem raiva. Os animais não. Eles vivem como se tudo fosse sempre igual, como se sentimentos não nos estivessem invadindo a cada dia e nos destruindo internamente. Vivem igual. Acordam, comem, bebem. Latem, grunhem, piam, cantam. Querem atenção e comida, no máximo. No fim das contas, nós também. Mas que será essa comida? Quanto de atenção? Como? Onde está a nossa fonte de prazer? Ela existe? Aaah, como era mais fácil acreditar em Deus! Nesse Deus cristão, Todo-poderoso, Onipotente, Onisciente, Onipresente. Tudo em maiúsculo para honrar a Sua Grandeza. Nesse Grande Amor que está sempre por perto para me ouvir, me acolher, me dar o que eu quero desde que o que eu quero seja o que Ele quer. E agora, sozinha, o que eu faço? Quem vai me dar as respostas que Ele me dava? Era fácil ter as respostas porque existia um padrão a ser seguido e Ele me respondia de acordo com isso. Como eu faço pra obter as respostas, se agora elas não estão prontas? Agora eu lido com minhas decepções, minhas perdas, com o que parece ser uma maldição chamada amor. Agora eu vivo. Essa miserável vida que nos foi reservada por sabe-se-lá-quem. Vida cheia de egoísmo, mesquinhez, maldade, luxúria, paixão, cuidado, carinho, amor. Parece um crescente, indo dos contras aos prós, mas é? O amor é mesmo tão sublime, tão bom? Como sentimento, ele só fode. É o que eu tenho pra compartilhar.
domingo, 29 de junho de 2014
sábado, 28 de junho de 2014
Epifania
Hoje eu acordei, como todos os últimos dias, vesti a mesma roupa dos últimos dias, comi a mesma comida. Assisti aos mesmos programas de tevê. Você me visitou em forma de lembrança. Lembrei que sonhei com você. No sonho você dançava pra mim, rebolava uma bunda que eu não lembrava ser sua, se insinuava pra mim como antes, mas era diferente. Agora eu sabia. Então você veio e eu pensei que te amo. Mas também que você perdeu seus direitos e você sabe disso. Você soube desde o início. Não pode mais me chamar de Pequena, nem dizer que me ama. E eu só soube hoje e te amei ainda mais (o que você era há cinco anos, pelo menos). Só hoje eu descobri que as pessoas perdem o direito de falar algumas coisas às outras. E respeitar isso é sublime.
terça-feira, 17 de junho de 2014
Inocente manipulado(r)
No final sempre buscamos alimento. Sobrevivência. Sempre temos boas intenções querendo viver, mas a jornada machuca. Fere a nós e aos outros. Não há propósito, nunca há nenhum desejo além da narcísica busca de nós, individual, cada um buscando o seu eu. A procura, por si só, esmigalha. Sem intenção. Mas a existência de exceções atrapalha o sistema, faz emergir a feiúra - ou apenas a simples e normal realidade - do comum egoísmo. Estúpidos os que mostram completo desprezo pela ditadura da indiferença! Ignorantes que se mostram desinteressados em viver para si e por si! Lerdos, néscios, palermas. Ou podem ser apenas dissimulados, realçando suas minúsculas disposições altruístas para esconder a verdadeira, inerente natureza humana.
Não podemos discriminá-los, como fazemos com negros, gordos, magros, loiros, homens, mulheres, assim, à primeira vista. Então nos relacionamos, como é preciso fazer para alcançar tantas formas de satisfação que buscamos. Amamos, até - porque, sejamos sinceros, é possível amar nessa trilha egoísta -, e é aí que descobrimos o disparate do nosso ato. Néscios somos nós, entregues a esses malditos inocentes manipuladores.
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