terça-feira, 31 de março de 2015

Insignificância e amor ágape

   Gosto de olhar para o céu, refletindo sobre a pequenez e a grandeza do ser humano. É incrível o quanto somos insignificantes e tão significativos e como esse paradoxo é real e imaginário. Não sei nem se posso afirmar que ele existe e, se ele existe, é real? O real é a realidade que conhecemos ou é o que Lacan dizia, algo que não pode ser descrito pela linguagem? Se o for, talvez esteja nesse plano o paradoxo. E a grandeza, e a pequenez. E o ser humano.
   Não creio que alguém seja capaz de descrever o quer que seja. Às vezes me vejo ficando irritada com alguém dizendo nas redes sociais "defina fulana em uma palavra" e lembro o motivo: fazer isso é tão, mas TÃO reducionista, que dói. É impossível descrever alguém em um texto, imagine em uma palavra! E então vejo que as descrições são "perfeita", "diva", "maravilhosa" e penso no peso que essas descrições devem ter na vida de uma pessoa, e ao mesmo tempo quão inúteis elas são se considerarmos a imensidão da vida.
   A verdade é que me perco enquanto penso. E enquanto falo. E enquanto escrevo. Me perco porque é tudo tão incerto, tão passível de ser perdido! Me perco nos olhos de uma linda mocinha que eu não sabia existir há três meses atrás, me perco tanto que tropeço nas palavras, ignoro minhas necessidades, desoriento-me em minhas sensações a ponto de acreditar experimentar sinestesias. Um olhar pode ser tão significativo! Mas ele é tão pequeno, tão curto no longo tempo do mundo, que não deveria ser. Pergunto-me se há alguma explicação para fenômenos como esse e só consigo concluir que estou certa em crer no amor.
   Acredito no amor como força extraordinária, capaz de transformar qualquer coisa. Não digo apenas o amor romântico (especialmente não o amor hollywoodiano) mas o amor Ágape, aquele de I Coríntios 13:4-8 (já não creio em Deus, muito menos na igreja, mas Paulo falando sobre o amor me arrepia e toca minha alma até hoje <3):
"O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.
Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor.
O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor nunca perece; mas as profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento passará."
    Agora vou devanear com esse trecho, e deixar você pensando em como somos pequenos e grandes, em quanta diferença podemos fazer e o quanto às vezes não devíamos fazer a diferença que queremos. Importante mesmo é que o amor nos guie, pra onde quer que seja.

sexta-feira, 27 de março de 2015

My daisy

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 Dizem que não se escolhe uma margarida em um campo cheio de rosas. Pois eu discordo, já me levantando e olhando ao redor, pra todas essas rosas igualmente pomposas, cheirosas, arrumadas, me olhando como se tudo o que eu quisesse fosse colhê-las. Escolho a margarida sem pestanejar. Tomo-a com toda a delicadeza que ela merece, e carrego-a perto do peito, onde o barulho é maior, mas o cuidado também. Escolho um belo lugar para plantá-la. Não no sentido da beleza física, estética, mas em todos os sentidos que o belo nos permite imaginar: aconchegante, com as exatas quantidades de sol, luz, vento. Um lugar para o qual vou sempre olhar e me flagrar com os olhos brilhando e o coração palpitando.
 Sou humana, preciso confessar. Vez ou outra, me esqueço de regá-la, ou não dou a atenção necessária. Ela fica murchinha e me olha. Sim, ela é capaz de olhar. Na verdade, é capaz de muito mais que isso. Uma margarida vai em lugares que os olhos não alcançam; sua doçura penetra a alma, invade os cantos mais recônditos, com uma força e suavidade que só uma margarida ou o próprio amor poderiam descrever.
 Então minha margarida me olha e me diz que me quer, que sente falta. Mas fala com suas pétalas brancas de paz, destacando o miolo de angústia, muito amarelo. Eu sofro, porque sei que não sei amar, e já disse. Mas amo. Amo numa intensidade que dói, num grau maior que o amarelo de seu miolo de sol.
 Meu sol, minha margarida, meu amor. Me perco nas palavras porque não sei. Nem falar, nem amar, nem escrever. Nem sei muito de mim ou de você. Só sei de nós, que deveria ser. E será.