domingo, 10 de agosto de 2014

Pulsão

    Talvez o excesso de prazer cause desprazer em alguma medida. Tanto prazer me remete ao que falta, e a ausência é o nada que dói mais. Falta você no meu cenário, seu sorriso nos meus enquadres da câmera. Sua voz e sua graça na hora da canção. Falta você pra eu alcançar o Das Ding.
    Penso até nas coisas ruins que você me fez passar com saudade e carinho, com um sorriso nostálgico no rosto. Você, no fim das contas, não existe. É apenas um pequeno conjunto das minhas significações, e eu não significo bem. Quanto mais você me faz falta, mais colorido pinto seu retrato já dependurado na parede da minha memória.
    Pincéis sozinhos não colocaram na tela as cores de Frida Kahlo. Ela fez isso. Nos quadros estampam-se as cores, esbanja-se a beleza da criação, mas falta. As Fridas espalhadas por aí só revelam o quanto A Frida não está. E todas as suas representações bailando à minha volta, do meu lado, comigo e em mim só me lembram que você não está - e jamais estará novamente - perto de mim. 
    Então digo-te adeus. Um adeus que diz até logo.