sábado, 26 de abril de 2014

Não havia escolha para a grande bruxa Morgana. Ela tinha poderes, era bela e governava um reino, mas seu destino a esperava. Fracassaria. Como tantas vezes havia feito: com o relacionamento com a irmã, que passou a odiá-la; com a Religião Antiga, que não a admitiu como membro porque ela tinha sangue real; com o amante que fugiu quando a viu em sua verdadeira forma mágica... Agora estava grávida e certamente perderia o bebê no parto, quando ele estivesse quase nascendo. Era assim sempre. Quando quase conseguia alguma coisa, algo acontecia que a impedia de ser bem sucedida. Tentara até magicamente manter as coisas boas em sua vida, mas em vão. Havia uma profecia que a destinara a uma vida de fracassos, e assim ela vivia. Seu enorme poder de nada adiantara. Ela às vezes pensava que a profecia poderia não ser determinante pra sua vida, mas assumir o controle exigiria que assumisse também as responsabilidades pelos tamanhos erros. E isso ela não poderia suportar.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Eu penso coisas. E parece que as próprias coisas que eu penso pensam. Como se... meus pensamentos fossem autônomos! Fossem indivíduos. Criados por mim. E... pela sociedade. E... sei lá por quem mais. Deus. E aí eles se libertam da minha mente -ou tentam-, criando novos pensamentos eles próprios. 
Eu penso... em mim, aqui na cama, sentada como se eu fosse uma mulher das cavernas, comendo. E... olhando pra tudo ao redor como se fosse... tudo ameaçador demais. Como se tudo pudesse... me... comer, me matar, me machucar. Os meus pensamentos pensam que... é tão besta a existência deles próprios e eles começam a pensar que... nada é uma ameaça. Nada ao redor, pelo menos. Que a minha ameaça são eles! E eles decidem se mostrar bonzinhos (eles são legais), dizem que não vão fazer nada comigo, dizem que vão... mudar, vão ser diferentes. Que vão ser... se tornar bons pensamentos. Mas nunca acontece. Porque afinal eles acham que são livres, mas eu que controlo. E eu não sei fazer isso. Eu não sei controlar. 
Talvez Deus tenha passado por isso. Criado um monte de gente... que ele controla. E aí... ele descobre que não pode controlar. O que será que ele faria com... E ele não consegue nem matar! Seria bizarro isso. Coisas que se cria e que não se pode matar. Que não se pode controlar. E... existem! Vivem! Andam, sentem. Sofrem. Sofrem, inclusive, esperando um controle. Esperando ser controlados. E nada. Acho que é isso que acontece. Comigo, com todos os seres do mundo.