You can hear my heart and my breath, you can feel the cold in my shaky hands. There's nothing I can do to hide my ridiculously exposed feelings. You hold me, only to make things worse, I think, and I cry. Clearly I won't stop anytime sooner. We can't live like that, we know. But we seem to don't care, since we're always doing the same terrible thing we always do: to love.
domingo, 27 de julho de 2014
terça-feira, 22 de julho de 2014
Absoluta insanidade
Dei-te um golpe certeiro. O movimento do braço, a inclinação do punho, a pressão dos meus dedos no punhal da faca. Foi tudo cuidadosamente planejado pra que eu te acertasse em cheio no coração e você morresse imediatamente. Só havia uma falha no plano. Não previ o golpe retardatário reservado a mim. Sua morte fria e quase indolor golpeia-me a cada segundo que vivo, e por todos os furos um pouquinho de alma se esvai.Agora ainda me resta um pouco de sanidade no fio de alma preservada, mas logo ela se perderá e só terei agonia. Portanto agora uso toda a minha alma pra dizer-te: nunca deixei de te amar.
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Ele
Viu um pé de carambola que lhe lembrou a infância com acidez e doçura, como a fruta. Esse pé de carambola tem mais de dez anos, pensou, vendo a mesma senhora que devia ter noventa anos há mais de dez anos atras debruçada no mesmo muro de dez anos atrás, como fazia naquela época. Há tempos não voltava à sua terra, mesmo sempre estando lá. As carambolas, a senhora e o muro o fizeram regressar ao tempo de colégio, quando ele corria dos meninos maiores, tomava água da mangueira das donas de casa que lavavam as calçadas e falava com aquela senhora para subir em sua árvore e panhar as carambolas. Nem os meninos mais velhos, nem as donas de casa e nem a senhora se lembrariam dele, agora homem, de barba e terno. Mas não só por isso, aquela lembrança era dele, ninguém poderia lembrar-se dela. Teve vontade de ter dez anos de novo, ou pelo menos falar com a senhora debruçada no muro sombreado pelo pé de carambola. Mas hoje é covarde. Sabe de números, de teorias - da evolução, da conspiração, da relatividade -, de música, teatro, ações da bolsa de valores, de política. Mas não sabia de si. Perdera-se no conhecimento do mundo sem se lembrar da delícia de encher uma mochila de carambolas e carregar livros e cadernos nas mãos, do mal que a água da torneira nunca fazia, da emoção de ter medo de algo ou alguém e poder correr. Esquecera-se da doçura e da acidez de viver.
terça-feira, 15 de julho de 2014
Uma fresta no cinza
Um pedaço triangular de azul na multidão tediosa de pessoas e coisas e intangíveis e invisíveis moléculas. Invisíveis e intangíveis também as pessoas e coisas, por mais consistentes e reais que sejam. É tudo um todo sem forma, como a Terra antes da Criação. E ali está o pequeno triângulo azul de possibilidades. É apenas uma visão do azul-escuro-acinzentado do céu da cidade. Mas pode-se ver sorrisos e conversas e amores, se mirar-se nele. Pode-se ver verdes e vermelhos e amarelos-solares. Pode-se sentir dores, temores, odores. Pode-se ouvir o canto dos seres celestiais ou o urro dos que rangem os dentes. Tudo no pequeno triângulo azul-celeste .
Caio Fernando Abreu continua a falar das margaridas e a me conquistar. Talvez você fosse borboletas e margaridas, uma inspiração ou combinação delas. Talvez elas vivessem no seu interior e era esse órgão feito de borboletas e margaridas que fazia emanar de você tanta doçura e calma, tanto amor e intensidade. No início tão sutis que podiam passar desapercebidas. Mas depois, ah, depois você viveu consciente da vitalidade desse órgão, alimentando-o e deixando-se alimentar por ele. Delicado que era, o órgão das margaridas e borboletas parecia carecer de cuidado especial. Então você encarregou-se de mantê-lo vivo, saudável, impecável.
Mas margaridas e borboletas não alimentam o corpo, mas a alma. De borboletas e margaridas você majestosamente se fez. E por margaridas e borboletas, na visão dos outros, se dilacerou. E então se desfez. Tornou-se margaridas e borboletas, voou e flutuou para longe. E o que viram foi um corpo frio que tornariam em cinzas. E guardariam as cinzas se esquecendo do azul e do amarelo e do branco das borboletas e das margaridas invisíveis e intangíveis do seu interior.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Uma mistura de angústia e paz
De repente tenho vontade de ter uma margarida pra dar a alguém na rua. Talvez não tão de repente a vontade da margarida, nem tão de repente a de encontrar alguém na rua que possa recebê-la. Mas a vontade de entregar uma margarida a alguém, essa é recente. Veio assim meio de repente, porque foi rápido no Cronos, mas não tão de repente porque parece que vem brotando há uma vida. A vontade e a margarida. Ela deve estar em algum lugar onde eu possa pegá-la e entregá-la talvez ao mesmo tempo, a margarida. A vontade cresceu e apareceu como se fosse de repente enquanto eu mergulhava numa história extremamente fantástica e comum de um homem que morre. Morre porque decide morrer e porque não há o que fazer senão morrer.
Li mais cedo que a margarida seria um tantinho de angústia cercado de paz, com seu pequeno miolo amarelo e suas delicadas pétalas brancas. Caio Fernando Abreu que disse, em um conto que já não me lembro qual. Ando me esquecendo de muitas coisas mas você. Essa lembrança pulsante e latente da sua voz que está distante mas perto. Mais perto. Como o seu cheiro inconfundível e seu assobio que me lembra a inocência da infância com alegria e terror.
A ignorância do futuro que nos deixa completamente vulneráveis acentua nossa pequenez diante de um criador que deve saber de todas as coisas mas não as muda porque é assim que deve ser. Pois que adianta voltarmos ao passado e tornarmo-nos então manipuladores ao invés de ignorantes ingênuos, eu me pergunto e respondo como desejo mas não como quero. Quero mesmo é ser manipuladora e viver confortavelmente em um todo controlado por mim. Mas a ingenuidade me encanta. Assim, como fadas e sereias e duendes. Um encanto com o brilho e com o inexistente, como se fosse transformar-me magicamente.
Pois um dia encontro a magia e talvez muitas margaridas cercadas de paz. Quem sabe eu as entregue a você numa rua repentinamente dominada por magia e inocência... e quem sabe você as receba e me abrace um abraço de angústia e paz como se não houvesse amanhã, pois saberemos que pode não haver, já que não houve há tanto tempo atrás.
sábado, 12 de julho de 2014
[des]prazer do amor e sexo
Nada como um orgasmo e um cigarro... depois uma bebida brindada já na expectativa de outro orgasmo, e outro cigarro, e então outra vez a mesma bebida, desfrutada com um alguém de corpo arqueado e quente na cama, um alguém amado ou não. O produto do sexo é o prazer, mas este tem sua duração limitada ao tempo do sexo, a não ser que haja amor, aí tudo se confunde. Amor e sexo acontecendo ao mesmo e tempo e fazendo perdurar o prazer por tempo indeterminado - ou desprazer, quando o amor é bruscamente interrompido, mas não acaba. Há desprazer no prazer de um amor impedido. Há prazer no desprazer de amar.
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