sábado, 30 de maio de 2015

O desespero de te absorver

   Há uma vontade que não sai de mim. Ao contrário, ela entranha nos meus órgãos e veias cada vez mais profundamente, mais deliciosamente. Insiste. Como uma pulsão, uma necessidade insaciável. Tenho vontade das colinas, da casa, da comida. Dos sorrisos, das mãos, dos orgasmos. Da pele, dos cigarros, dos carinhos. De você. A vontade é você. Quero te dar flores plantadas num jardim que é nosso, quero dançar com você - só eu, você e o universo - e agradecer a ele por, mesmo depois de tudo, me permitir estar com você. Quero te abraçar hoje, até amanhecer, ouvindo e nos encontrando nas músicas. Tenho urgência de você.
    Se te encontro, te amo, te adoro, te sugo, te aperto. Tento te apreender. E, sempre que você se vai, leva consigo algo que já me pertence, e sem o qual a vida fica meio cinza. O mundo não fica cinza quando você parte, porque sei que você ainda é minha, e ainda me tem, mas fica latejando. Ele pulsa, ofegante por você, pelo nosso encontro que sempre muda tudo. 

 Nossa junção é a harmonia que eu sempre quis, seu amor é o amor que me faz acreditar na vida.
  
   Tenho aprendido que a palavra só não é nada pequena. Que o medo pode sumir. Que os se podem ser esperança. Que esperança pode ser bom. Que slow down é necessário, mas difícil as hell. Que amar não é sofrer. Ah, vida, quem diria que um dia nos reconciliaríamos! Quem diria que seria possível encontrar a felicidade assim, em um simples opa!
   Fecho os olhos e me sinto capaz de quase tocar o amor. Consigo ver detalhes do seu corpo, sentir seu beijo, seus toques. Posso experimentar seu amor. E crer. Em tudo o que somos. E podemos ser.

domingo, 10 de maio de 2015

Imersão em você

Tomava banho e imaginava 
"Ah, se eu pudesse levar-te comigo
A qualquer lugar
Viajaria por essas galáxias
Acamparia na Lua
Seríamos eu e você
Despidas
De amarras
De regras
De roupas
Desprovidas de medo
E munidas de amor"

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Só não confie nos meus devaneios agora, eu digo


    É espantoso como um dia pode ser tão cheio e incomum, e ao mesmo tempo tão vazio e ordinário. Cá está você, meio cinza mas cheia de cores para minha vida, e logo em seguida se foi. E só volta amanhã, maybe. Não é que eu dependa de você, não é isso. Só me faz feliz te ter, e é uma das poucas coisas que têm me trazido felicidade. Não que minha vida esteja ruim, também não é isso. É que são poucas coisas que fazem parte dela, é meio desabitada. Eu não tive muitas coisas nesses vinte e poucos anos para acumular, sabe? Vivi um pouco, aqui e ali, amei e sofri, chorei e sorri, como nessas músicas populares do nosso Brasil. Fui intensa, eu sei. Mas e daí?
    "Não tenho muitas certezas agora", e é tudo o que eu levo dessa vida, incertezas. Dizem os sábios que elas são importantes, dizem por aí que podem edificar, que revelam humildade. Eu concordo, até, mas elas acabam comigo! Acabam com o ser humano, ser de necessidades, de busca, adorador do Das Ding, louco pra chegar num objetivo fajuto, inexistente, criado por si mesmo pra se enganar. Cá estou eu com minhas dúvidas, meus devaneios e meu amor, que por mais que eu ache que vá se extinguir eventualmente, nunca o faz.
    Cá estamos nós, como duas bobas brincando de ser-humano, de viver, de amar, de tudo o que nos apresentam. Sabemos que esse plano físico e explicável não é suficiente, mas o que fazer com o sobrenatural inexplicável, não é mesmo? Não há mobilidade onde nem somos, nem estamos, do que nada sabemos. Sei que universos como nós devem se encontrar por aí, causando um boom fenomenal como o nosso. Mas ouvimos e sentimos o que é nosso, e porque querer mais? Quero é te dar beijos intermináveis, ver seus olhos diminuírem, ir pras colinas e de lá nunca mais voltar. Quero é você como lar. Quero é não pensar, ou não precisar. Quero devanear com você infinito, até cansar. E então comer e voltar. A amar.