quinta-feira, 30 de julho de 2015

Meu pânico diário

    Não paro de perguntar a deus, ao universo, se não seria mais digno me matar. Se há um ser superior, ele deveria ser puro amor, é o que eu acho. E essa confusão não me parece fruto de amor. Enquanto eu escrevo, minha amada sofre em mãos que mais parecem torturá-la. Mãos essas que supostamente também deveriam ser de amor. Eu não sei o que há nesse mundo (e, quem sabe, no mundo superior) que faz com que o amor não seja mais compreendido - ou melhor, respeitado.
    Eu nunca tive uma forma tão pura de amor. Nunca cresci tanto amando. Nunca planejei o resto da minha vida, e com ela eu quis viver pra sempre. Minha menina surgiu do nada e me fez querer que minha vida fosse mais, pra ela. Me deu espaço pra ser útil na vida dela. Quer me dar o mundo e eu quero dar o mundo a ela, e isso nem parece ser suficiente. Minha vida é dela, meu amor é dela, e ela não pode fazer nada com isso. Uma maldita sociedade homofóbica nos impede!
    E agora, que temos o amor uma da outra, o que fazemos com eles? Eu não quero devolver. Quero apenas que possamos viver em paz nossa vida juntas. Em nossa casinha dos sonhos, cozinhando e esperando a outra chegar do trabalho, cheias de amor. "Só" queria que pudéssemos nos ter sem sermos destruídas aos poucos.
    Queria gritar e implorar a ela que largasse tudo por mim, mas que direito eu tenho a isso? O que tenho a oferecer é só minha vida, e ela não tem valido muito. 
    Ao invés disso, me mantenho impotente sem sair de casa, implorando a divindades desconhecidas que nos ajudem e chorando sem ser notada. Vasculho meu cérebro em busca de soluções e me enervo cada vez mais ao constatar que sou incapaz de fazer qualquer coisa que não envolva assassinato. 
    Não consigo acreditar que o ser humano é capaz de tamanha maldade, e acredito menos ainda que um deus permitiria coisas assim acontecendo. No fim, estamos sozinhas no mundo. E nem podemos ter uma à outra pra nos consolar!
    Choro, arranco os cabelos, quebro as coisas, mutilo minha pele. Nada disso adianta, mas qualquer dor é melhor do que a dor que minha alma está sentindo por saber do sofrimento do meu amor e por pensar que posso perdê-la.

sábado, 30 de maio de 2015

O desespero de te absorver

   Há uma vontade que não sai de mim. Ao contrário, ela entranha nos meus órgãos e veias cada vez mais profundamente, mais deliciosamente. Insiste. Como uma pulsão, uma necessidade insaciável. Tenho vontade das colinas, da casa, da comida. Dos sorrisos, das mãos, dos orgasmos. Da pele, dos cigarros, dos carinhos. De você. A vontade é você. Quero te dar flores plantadas num jardim que é nosso, quero dançar com você - só eu, você e o universo - e agradecer a ele por, mesmo depois de tudo, me permitir estar com você. Quero te abraçar hoje, até amanhecer, ouvindo e nos encontrando nas músicas. Tenho urgência de você.
    Se te encontro, te amo, te adoro, te sugo, te aperto. Tento te apreender. E, sempre que você se vai, leva consigo algo que já me pertence, e sem o qual a vida fica meio cinza. O mundo não fica cinza quando você parte, porque sei que você ainda é minha, e ainda me tem, mas fica latejando. Ele pulsa, ofegante por você, pelo nosso encontro que sempre muda tudo. 

 Nossa junção é a harmonia que eu sempre quis, seu amor é o amor que me faz acreditar na vida.
  
   Tenho aprendido que a palavra só não é nada pequena. Que o medo pode sumir. Que os se podem ser esperança. Que esperança pode ser bom. Que slow down é necessário, mas difícil as hell. Que amar não é sofrer. Ah, vida, quem diria que um dia nos reconciliaríamos! Quem diria que seria possível encontrar a felicidade assim, em um simples opa!
   Fecho os olhos e me sinto capaz de quase tocar o amor. Consigo ver detalhes do seu corpo, sentir seu beijo, seus toques. Posso experimentar seu amor. E crer. Em tudo o que somos. E podemos ser.

domingo, 10 de maio de 2015

Imersão em você

Tomava banho e imaginava 
"Ah, se eu pudesse levar-te comigo
A qualquer lugar
Viajaria por essas galáxias
Acamparia na Lua
Seríamos eu e você
Despidas
De amarras
De regras
De roupas
Desprovidas de medo
E munidas de amor"

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Só não confie nos meus devaneios agora, eu digo


    É espantoso como um dia pode ser tão cheio e incomum, e ao mesmo tempo tão vazio e ordinário. Cá está você, meio cinza mas cheia de cores para minha vida, e logo em seguida se foi. E só volta amanhã, maybe. Não é que eu dependa de você, não é isso. Só me faz feliz te ter, e é uma das poucas coisas que têm me trazido felicidade. Não que minha vida esteja ruim, também não é isso. É que são poucas coisas que fazem parte dela, é meio desabitada. Eu não tive muitas coisas nesses vinte e poucos anos para acumular, sabe? Vivi um pouco, aqui e ali, amei e sofri, chorei e sorri, como nessas músicas populares do nosso Brasil. Fui intensa, eu sei. Mas e daí?
    "Não tenho muitas certezas agora", e é tudo o que eu levo dessa vida, incertezas. Dizem os sábios que elas são importantes, dizem por aí que podem edificar, que revelam humildade. Eu concordo, até, mas elas acabam comigo! Acabam com o ser humano, ser de necessidades, de busca, adorador do Das Ding, louco pra chegar num objetivo fajuto, inexistente, criado por si mesmo pra se enganar. Cá estou eu com minhas dúvidas, meus devaneios e meu amor, que por mais que eu ache que vá se extinguir eventualmente, nunca o faz.
    Cá estamos nós, como duas bobas brincando de ser-humano, de viver, de amar, de tudo o que nos apresentam. Sabemos que esse plano físico e explicável não é suficiente, mas o que fazer com o sobrenatural inexplicável, não é mesmo? Não há mobilidade onde nem somos, nem estamos, do que nada sabemos. Sei que universos como nós devem se encontrar por aí, causando um boom fenomenal como o nosso. Mas ouvimos e sentimos o que é nosso, e porque querer mais? Quero é te dar beijos intermináveis, ver seus olhos diminuírem, ir pras colinas e de lá nunca mais voltar. Quero é você como lar. Quero é não pensar, ou não precisar. Quero devanear com você infinito, até cansar. E então comer e voltar. A amar.

terça-feira, 31 de março de 2015

Insignificância e amor ágape

   Gosto de olhar para o céu, refletindo sobre a pequenez e a grandeza do ser humano. É incrível o quanto somos insignificantes e tão significativos e como esse paradoxo é real e imaginário. Não sei nem se posso afirmar que ele existe e, se ele existe, é real? O real é a realidade que conhecemos ou é o que Lacan dizia, algo que não pode ser descrito pela linguagem? Se o for, talvez esteja nesse plano o paradoxo. E a grandeza, e a pequenez. E o ser humano.
   Não creio que alguém seja capaz de descrever o quer que seja. Às vezes me vejo ficando irritada com alguém dizendo nas redes sociais "defina fulana em uma palavra" e lembro o motivo: fazer isso é tão, mas TÃO reducionista, que dói. É impossível descrever alguém em um texto, imagine em uma palavra! E então vejo que as descrições são "perfeita", "diva", "maravilhosa" e penso no peso que essas descrições devem ter na vida de uma pessoa, e ao mesmo tempo quão inúteis elas são se considerarmos a imensidão da vida.
   A verdade é que me perco enquanto penso. E enquanto falo. E enquanto escrevo. Me perco porque é tudo tão incerto, tão passível de ser perdido! Me perco nos olhos de uma linda mocinha que eu não sabia existir há três meses atrás, me perco tanto que tropeço nas palavras, ignoro minhas necessidades, desoriento-me em minhas sensações a ponto de acreditar experimentar sinestesias. Um olhar pode ser tão significativo! Mas ele é tão pequeno, tão curto no longo tempo do mundo, que não deveria ser. Pergunto-me se há alguma explicação para fenômenos como esse e só consigo concluir que estou certa em crer no amor.
   Acredito no amor como força extraordinária, capaz de transformar qualquer coisa. Não digo apenas o amor romântico (especialmente não o amor hollywoodiano) mas o amor Ágape, aquele de I Coríntios 13:4-8 (já não creio em Deus, muito menos na igreja, mas Paulo falando sobre o amor me arrepia e toca minha alma até hoje <3):
"O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.
Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor.
O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor nunca perece; mas as profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento passará."
    Agora vou devanear com esse trecho, e deixar você pensando em como somos pequenos e grandes, em quanta diferença podemos fazer e o quanto às vezes não devíamos fazer a diferença que queremos. Importante mesmo é que o amor nos guie, pra onde quer que seja.

sexta-feira, 27 de março de 2015

My daisy

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 Dizem que não se escolhe uma margarida em um campo cheio de rosas. Pois eu discordo, já me levantando e olhando ao redor, pra todas essas rosas igualmente pomposas, cheirosas, arrumadas, me olhando como se tudo o que eu quisesse fosse colhê-las. Escolho a margarida sem pestanejar. Tomo-a com toda a delicadeza que ela merece, e carrego-a perto do peito, onde o barulho é maior, mas o cuidado também. Escolho um belo lugar para plantá-la. Não no sentido da beleza física, estética, mas em todos os sentidos que o belo nos permite imaginar: aconchegante, com as exatas quantidades de sol, luz, vento. Um lugar para o qual vou sempre olhar e me flagrar com os olhos brilhando e o coração palpitando.
 Sou humana, preciso confessar. Vez ou outra, me esqueço de regá-la, ou não dou a atenção necessária. Ela fica murchinha e me olha. Sim, ela é capaz de olhar. Na verdade, é capaz de muito mais que isso. Uma margarida vai em lugares que os olhos não alcançam; sua doçura penetra a alma, invade os cantos mais recônditos, com uma força e suavidade que só uma margarida ou o próprio amor poderiam descrever.
 Então minha margarida me olha e me diz que me quer, que sente falta. Mas fala com suas pétalas brancas de paz, destacando o miolo de angústia, muito amarelo. Eu sofro, porque sei que não sei amar, e já disse. Mas amo. Amo numa intensidade que dói, num grau maior que o amarelo de seu miolo de sol.
 Meu sol, minha margarida, meu amor. Me perco nas palavras porque não sei. Nem falar, nem amar, nem escrever. Nem sei muito de mim ou de você. Só sei de nós, que deveria ser. E será.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Waking up

I see the sky in the morning
And it looks like night
I feel the new day coming
But it feels like dark

Nobody ever told me
Things would change until the moment I die
Nobody care to tell me
Life is such a lie