segunda-feira, 17 de março de 2014

Ele andava, pensando e se sentindo mal. Sentia-se fisicamente monstruoso. E era. Sempre andou por aí se fazendo de gente. Se comportava como gente: comia feito gente, bebia, estudava e conversava igual gente. Até amigos chegou a fazer. Aproveitou momentos de muita diversão, compartilhou projetos, gostos, notou até semelhanças. Sentia-se gente. Mas sabia. Lá no fundo sabia que segurava o xixi até em casa para evitar espelhos, passeava no shopping fitando o chão para fugir de tantos refletores. Sabia que todos viam sua monstruosidade. Sabia que era um tanto temido, um tanto evitado, um tanto incômodo. Um dia subiu na sua nave e partiu. Sem saber pra onde.

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