segunda-feira, 4 de maio de 2015

Só não confie nos meus devaneios agora, eu digo


    É espantoso como um dia pode ser tão cheio e incomum, e ao mesmo tempo tão vazio e ordinário. Cá está você, meio cinza mas cheia de cores para minha vida, e logo em seguida se foi. E só volta amanhã, maybe. Não é que eu dependa de você, não é isso. Só me faz feliz te ter, e é uma das poucas coisas que têm me trazido felicidade. Não que minha vida esteja ruim, também não é isso. É que são poucas coisas que fazem parte dela, é meio desabitada. Eu não tive muitas coisas nesses vinte e poucos anos para acumular, sabe? Vivi um pouco, aqui e ali, amei e sofri, chorei e sorri, como nessas músicas populares do nosso Brasil. Fui intensa, eu sei. Mas e daí?
    "Não tenho muitas certezas agora", e é tudo o que eu levo dessa vida, incertezas. Dizem os sábios que elas são importantes, dizem por aí que podem edificar, que revelam humildade. Eu concordo, até, mas elas acabam comigo! Acabam com o ser humano, ser de necessidades, de busca, adorador do Das Ding, louco pra chegar num objetivo fajuto, inexistente, criado por si mesmo pra se enganar. Cá estou eu com minhas dúvidas, meus devaneios e meu amor, que por mais que eu ache que vá se extinguir eventualmente, nunca o faz.
    Cá estamos nós, como duas bobas brincando de ser-humano, de viver, de amar, de tudo o que nos apresentam. Sabemos que esse plano físico e explicável não é suficiente, mas o que fazer com o sobrenatural inexplicável, não é mesmo? Não há mobilidade onde nem somos, nem estamos, do que nada sabemos. Sei que universos como nós devem se encontrar por aí, causando um boom fenomenal como o nosso. Mas ouvimos e sentimos o que é nosso, e porque querer mais? Quero é te dar beijos intermináveis, ver seus olhos diminuírem, ir pras colinas e de lá nunca mais voltar. Quero é você como lar. Quero é não pensar, ou não precisar. Quero devanear com você infinito, até cansar. E então comer e voltar. A amar.

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